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2/26/2014

Antes que a morte nos separe - Por Ivan Martins


Hoje foi mais um dia a se lamentar pra quem mora em Alagoas. Perdemos mais um pra violência, que insiste em tirar as cores desse lugar que foi por Deus tão abençoado em suas lindas águas. Momento também para uma reflexão tão bem traduzida tempos atrás em palavras, pelo colunista da revista Época Ivan Martins :
Vale a leitura!




"Enterros, velórios e missas de sétimo dias são ocasiões que nos fazem pensar, inevitavelmente. Estamos ali, vivos, na presença física ou espiritual da morte. Em geral, ligados a ela por alguém amado ou conhecido que se foi. Não dá para evitar a filosofia nessas horas – e um pouco de medo.

Dias atrás, despedi-me de um conhecido que partiu antes da hora. Entrei sereno na igreja, reconheci velhos colegas e me sentei entre eles para esperar a missa. A cerimônia transcorreu sem sobressaltos até o final, quando o padre deu a palavra à companheira do morto. Emocionada, mas firme, ela leu umas poucas palavras ao microfone. Essencialmente, disse que ele talvez não soubesse o quanto o admiraram, quanto o queriam aqueles que ele deixara para trás. Foi o que bastou para me inquietar.
Por causa das companhias de seguro, que vivem nos lembrando da fragilidade da existência, somos levados a pensar, de vez em quando, sobre o estado material da nossa vida. Se eu morresse amanhã, o que deixaria para trás? Está tudo certo, estão todos amparados, os papéis estão em dia? Gente muito jovem não se preocupa com isso, mas basta ter filhos para que essas ideias, insidiosamente, nos visitem. É natural e até saudável. Só quem se acha eterno está isento de preocupações. Os outros temem.

Mas não foi isso que me inquietou na igreja.

O que as palavras da viúva evocavam era algo diferente, imaterial. Ela falava do legado emocional e afetivo do morto. Ela aludia, em seu breve discurso de despedida, ao que ele deixara sentimentalmente para trás – de forma incompleta - com os amigos, com a família, com a mulher. Suas palavras faziam pensar nas relações rompidas pela morte e no estado das relações com os que ficam. Se morrêssemos amanhã, o que restaria sem ter sido dito? Muito, eu imagino.

Nossas vidas estão repletas de relações pendentes.

Há o amigo, a ex-namorada, a prima com quem você não fala há muito tempo, embora isso o inquiete. Questões grandes ou pequenas esperaram ser resolvidas com o irmão, com o tio, com a amiga com quem você, talvez, não tenha agido direito. Dentro do círculo mais íntimo, mesmo ali, persiste a sensação de que nem tudo foi dito entre pai e filho, entre marido e mulher, entre namorados de longa data. Na avalanche estúpida das horas que se esvaem, tendemos a adiar conversas e encontros. Eles não são urgentes, nos parece. Temos todo o tempo do mundo, nos iludimos. É natural que seja assim.

Tudo o que está vivo é incompleto. Não é diferente com as relações humanas. Apenas o que acabou emocionalmente está concluído e encerrado. O resto segue nos assombrando com vírgulas, reticências e interrogações. Aquilo que está vivo é uma possibilidade. Somente a morte coloca o ponto final em algumas relações. Naquelas que mais importam, eu diria. Naquelas que nos inquietam e das quais nos cabe cuidar.
Ao contrário das coisas materiais, é impossível resolver relações vivas. Elas podem ser cultivadas, saboreadas, vividas, mas não resolvidas. Elas prosseguem. Nunca haverá a conversa definitiva com aqueles que a gente ama. Talvez haja a última, mas isso não se sabe. Sabemos da conversa mais recente, da próxima. Dessas deveríamos cuidar. Sempre haverá outro programa de televisão, outro filme, outro amigo chamando ao telefone – mas o momento deste encontro não se repete. As palavras que trocamos aqui (ou não trocamos) fazem diferença.
O que podemos fazer – e que talvez devamos fazer – é manter nossas relações em dia. Se alguma coisa trágica ocorrer, teremos rido juntos ontem, ou falado na semana passada sobre o filme. Talvez tenhamos discutido ao telefone – é inevitável – mas dormimos abraçados, conversando baixinho. Lembrei de comprar o presente no dia certo, liguei aquela noite como prometido, tomamos um porre medonho na sexta-feira, conversamos longamente no carro durante a viagem. Andávamos na rua quando a chuva começou. Estivemos felizes, estivemos bravos, estivemos juntos. Foi bom.

Será que me faço entender?
As coisas materiais têm o poder de nos obrigar a agir. Os nossos sentimentos, estranhamente, não. Saímos todas as manhãs para o trabalho, ligamos para o advogado, trocamos emails com gente chata sobre o projeto que nos interessa. Mas não gastamos uma fração dessa energia para cuidar de coisas que nos são intimamente caras: o amigo de quem temos saudades, a ex-namorada que está na pior, a tia de que gostamos tanto. O cotidiano dos sentimentos e a rotina das relações são negligenciados. Ou tratados com menos importância do que deveriam. Ao contrário do que parece, isso não constitui uma traição aos outros, mas a nós mesmos.

Por isso fiquei inquieto com as palavras da missa.

Tive a impressão de que minhas pendências são grandes. As contas e os impostos estão pagos, mas a vida emocional está atrasada. Se eu sumisse hoje, se eu morresse, muitas palavras ficariam por serem ditas, muitos abraços ficariam no ar. Pessoas queridas ficariam sem respostas. Tive a impressão, na missa, de que há muito a fazer antes que a morte nos separe – e que o tempo, afinal, não é tão longo"

2/06/2014

Desabafo de uma telespectadora do Big Brother Brasil

Gosto de livros e também gosto do Big Brother Brasil.Quanta contradição há nisso? Pra mim nenhuma.
Deus me livre ter nascido uma pessoa gostasse das mesmas coisas ou das coisas parecidas sempre.Quanto mais diversificado meu interesse, quanto mais receptiva ao novo, quanto mais desencanada dos padrões, melhor  e mais viva me sinto.
Um programa de televisão não dá identidade a ninguém.Você não precisa viver  70, 80 anos pra entender que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. 
Não assisto um documentário ou um filme de arte pra provar algo sobre mim. Intelecto não existe pra ser exibido - e desconfio de quem o faz.Pessoas inteligentes não precisam provar que são inteligentes o tempo todo- é tão natural quanto demonstrar afeto.
Me incomoda o olhar crítico de quem se acha melhor porque só assiste ao Discovery Channel. Me incomoda o rótulo de que "só gente vazia" assiste reality show - Minha mente é tudo, menos oca. 
E sabe o que é pior, pra não dizer ridículo? Quem mais reclama, faz o que da vida de tão extraordinário ? Tenho certeza que à sombra dessas pessoas, existem muitas histórias que revelam que isso é contraditório de doer.
Entenda : a vida é um Big Brother- exceto se o sujeito reside numa caverna. O Facebook é um Big Brother - um condomínio é um Big Brother. A única diferença é que o enredo dessas vidas em geral é tão sem graça, que não vale a audiência de ninguém.
Se você já falou mal do vizinho, se você já brigou com um amigo, se você já riu da roupa de alguém, se você viveu o suficiente pra viajar, ir à praia, olhar a lua  ou todas essas coisas comuns de quem respira, sinto muito, você não entendeu nada.
Qual documento assinei ao nascer que diz que eu devo tirar uma lição de tudo? Que eu saiba nenhum! Tudo que eu quero é o direito legítimo de me divertir sem pensar na camada de ozônio. 
Entretenimento = entreter = distrair, divertir, servir de recreio, de passatempo. Isso significa que eu não assisto o Big Brother  no intuito de evoluir ou aprender alguma coisa.E ainda assim, se você fosse esperto, se você realmente fosse melhor que eu, saberia que a observação do comportamento humano exposto aos limites, é inacreditavelmente rica, e que divertimento é um troço que não precisa de ter troco ou cabeça quente no travesseiro. 
A vida já é suficientemente dura pra eu ter que ficar buscando sentido pra tudo ou alimentando loucamente meu espírito. Isso a gente faz sem alarde e isso, você que se diz tão melhor que eu,  devia tentar entender  entre um livro e outro ( se tiver tempo, é claro).



Fabiana Borges - Telespectadora do Big Brother Brasil e outras baboseiras maravilhosas.

12/23/2013

Minha Mensagem de Natal


É triste quando a gente tem o desejo de algo que deveria ser uma condição humana natural e simples- e não é. Desejar bondade ao semelhante é a maior prova que estamos no fundo poço. E é justamente isso que eu venho escrever às vésperas do natal. Desejar que você seja bom.Não hoje, não numa noite. Mas o ano inteiro. A vida inteira.
Me custa aceitar que a maldade existe, sequer aceitar que não tem mais limite. A coisa tá feia no nível matar pra acabar com o problema.
Como encontrar a paz num natal onde a memória que se tem é de gente que passa a perna na primeira oportunidade , que só lembra de alguém quando precisa, que não tem sensibilidade de se colocar no lugar do outro, que cuida da vida alheia como se lhe pertencesse, que sente prazer em fazer sofrer , caluniar, gerar discórdia e achar graça da desgraça de outro?!! 
Que você durma se reconhecendo imperfeito, mas tranquilo por ter feito o melhor ou tentado - que você trate de de viver a sua vida que é seu bem mais precioso, que evite brigar pelo que não vale à pena ou pelo que não lhe diz respeito. 
Que desperte pro que verdadeiramente importa e que é tão além desse acervo de futilidades que você coleciona, dos relacionamentos de verão, das coisas tolas que o dia à dia revela.
Que o seu natal seja o natal da consciência tranquila - de quem tem amor, de quem estende a mão, de quem não se vangloria do dinheiro,  do poder ou dos amigos influentes,  de quem não usa alguém como um objeto. O natal da gratidão e da generosidade.O natal do afeto declarado porque o amanhã é tão incerto quanto um sonho.
Um dia assim - pra celebrar Jesus, não faz o menor sentido de outra forma.Ou é do coração pra dentro, ou é uma farsa. Ainda dá tempo de nascer também, pra bondade e pra vida.Pense nisso e Feliz Natal.

Fabiana Borges

10/29/2013

Sobre finais de relacionamentos




"Porque um relacionamento termina" sempre será  uma espécie de grandes mistérios da humanidade. 
Finais são sempre tristes - de uma forma ou de outra. Quando se é famoso então, a coisa toma uma dimensão assustadora!  É preciso colocar a culpa em alguém pra entender ou tentar entender.E a culpa na verdade é todo mundo. 
Ninguém começa ou termina um relacionamento sozinho.As pessoas se desentendem, se afastam, fazem as pazes, se desentendem de novo e se separam de vez, por motivos que no final das contas, só elas sabem. A gente até supõe - a gente até ouve uma fofoca aqui, outra ali, dá pitaco, lamenta - mas é só na intimidade de um casal que a verdade acontece. Verdade essa, que inteira,  nunca saberemos.
Tenho pavor de apontar vilões em qualquer tipo de relacionamento, sobretudo nesses expostos na mídia - de gente que só conheço a capa. Não faço ideia de como vivem na intimidade - suas manias, do que são capazes. A vida real não é uma manchete de jornal. Até porque, se existe de fato um vilão, ele só existe porque alguém permitiu que ele tomasse forma, que magoasse- É assim com a gente, ou não é? A gente fica apaixonado e se permite sofrer e ser enganado, se entrega, fica bobo, se expõe, não liga de parecer ( ou ser ) ridículo- A paixão é assim desde que o mundo é mundo - doce, amarga e completamente sem sentido..Na minha vida e na da Grazy Massafera. Na vida de qualquer um!
Até partir dá um trabalho danado! Ninguém trai ou coloca pontos finais como se dobrasse uma esquina - e até quando você jura que fez isso, lá na frente, a vida vem e te mostra alguma coisa provando o contrário. É sofrido amar e não ser amado , é sofrido amar e saber que o amor não é tudo, é  sofrido deixar de amar também! Cada ferida tem sua característica e tratamento - mas todas  doem.
Portanto, muita cautela na hora de apontar o dedo. A regra é clara: a estrada por onde transitam os corações é sempre mão dupla. 

6/04/2013

Eu não te amo mais - por Fabiana Borges

Eu não te amo mais. E até onde eu sei isso é motivo pra comemorar.
Mas a verdade é que estranhamente essa não é uma descoberta que me faça desejar abrir uma garrafa de champanhe. Devia ser, mas definitivamente não é.
Não amar mais você é enterrar uma parte de mim. A pior e a melhor parte de mim. Desse jeito mesmo, contraditório como é o amor - ou como o amor parece ser em uma determinada fase da sua existência. Ou como sou. Já nem sei.
"Eu não te amo mais" parece ser um capítulo importante da minha biografia e ao mesmo tempo, me dá a sensação de desconhecer a mim mesma. Não devia ser assim não é??! Esquecer podia ser parte do autoconhecimento, afinal, de alguma forma, é como seu pegasse a minha vida de volta.
Não parece que foi ontem -e de certa forma parece, porque eu desaprendi a não amar ninguém. Eu desaprendi a não ser sua e viver disso.Eu desaprendi olhar para os lados sem que te visse.
O amor acostuma, e por incrível que pareça, qualquer relação confusa, complicada ou triste, acostuma. Coisas ruins criam raízes, viram sombras. E esse alívio que não amar você me devolve é reconfortante, é libertador, é precioso - mas é um estranho com o qual tenho tentado me acostumar também.


1/29/2013

Trinta e tantos...


Depois de amanhã ( 31) , faço trinta e oito anos. É isso.Trinta e oito! Se eu não escondo minhas fragilidades porque haveria de esconder minha idade?
O tempo passa. Essa é uma verdade dura de aceitar e enfrentar.Sobretudo porque é muito difícil responder a grande pergunta que alguém se faz nessa fase da vida : "Eu sou feliz?"
E a palavra "relativo" que a gente usa pra descrever  felicidade , me soa nesse momento como uma grande desculpa pro fracasso.
Então eu vou ser direta: Eu tenho um filho.Essa é minha felicidade e isso não é relativo.No resto eu fracassei - e isso também não é relativo.
É muito difícil olhar pra dentro e dizer exatamente como me sinto .É muito difícil olhar pra trás e dizer como sinto É muito difícil olhar pra todas as estantes onde eu pendurei minhas paixões , minhas ambições e dizer como sinto.
Sei que é moda forjar alegria quase constante pra espantar a inveja e a energia negativa. Me recuso.Não que eu seja infeliz ou dramática o tempo inteiro - Quem convive comigo conhece o meu bom humor, o meu afeto- e não é pouca coisa não! Mas tem um desânimo nesses 38 anos que me aflige. Perdi tempo. Perdi a energia. Perdi a fé no destino. Perdi o ânimo. E quando me vejo num discurso pessimista da vida , mais convicta eu fico de que de relativa a felicidade não tem absolutamente nada. Como o amor -  É ou não é.
Em trinta em oito anos intensos , não me importo mais em admitir arrependimentos. Eu definitivamente não faria tudo de novo. Trinta e oito anos pra descobrir que quem tem pressa  pega o trem errado.
Dá pra resumir tudo isso numa frase que eu li  por aí  > "Acho que a palavra que, juntando tudo o que sinto, me define, é cansaço "

11/24/2012

Você não é meu amigo.

Eu não sei como você define amizade e como essa relação se processa no seu cérebro.Tudo que eu sei é que você anda confundindo amizade com qualquer coisa ou anda me fazendo de boba.
Olha só!Não diga que você é meu amigo quando some.Já tive fases ocupada demais pra descobrir que quando alguma coisa me interessa e me importa, sempre existe uma maneira - às vezes simples - de me fazer presente.Amizade é prioridade.
Vivo pra redescobrir em cada acontecimento, que não sou mesmo desse planeta.Porque sinceramente acho, que você não é meu amigo quando vira o grande amigo de quem não gosta de mim e usa você pra me atingir.Eu também não sinto prazer em comprar briga de ninguém e prefiro ser educada.Não porque quem amo sempre tem razão, mas amar implica uma proteção natural. Não dá pra nutrir simpatia por quem fez muito mal a quem digo que amo.
Não diga que você é meu amigo quando reaparece do nada pra me pedir favor.Eu queria que você precisasse de mim e não do meu livro , do meu conhecimento ou dos meus contatos. 
Não diga que você é meu amigo depois de me usar e me substituir. Depois que eu não sirvo mais, como qualquer uma dessas coisas de plástico que nos alimenta e se joga fora.
É muita cara de pau!É muita consciência tranquila fazendo tudo errado. É muita gente dormindo e acordando como se nunca tivesse tocado o coração de alguém , compartilhado intimidade , vivido coisas.
Não diga que você é meu amigo quando não chega junto quando mais preciso, quando não me olha com delicadeza , quando sabe o caminho que vai me magoar e ainda assim , escolhe seguir por ele.
Você não é meu amigo quando interpreta tudo errado. Você não é meu amigo quando não sabe pedir desculpas e acha que tem sempre razão. Você não é meu amigo quando tudo tem que ser do seu jeito e no seu tempo . Você não é amigo quando não sente vontade de fazer algo, sabendo que vai me deixar feliz.
Você pode ter sido, em algum momento alguém melhor pra mim . Pode conhecer minhas fraquezas , meus fracassos e ter feito parte da minha vida. Pode de vez em quando lembrar que eu existo e usar da falta que me faz, pra alimentar seu ego. Mas meu amigo, você não é.

11/14/2012

A paixão é uma droga

Eu nunca usei drogas, em compensação  já me apaixonei algumas vezes, o que de certa forma, dá no mesmo. 
A paixão é uma droga porque você nunca se apaixona por uma pessoa de verdade, você se apaixona por uma ideia, por um ideal , por alguém que sequer existe de verdade. Existe numa fantasia. 
É uma droga porque todo apaixonado tira alguém do mundo real e coloca num pedestal, não como um conto de fadas, é uma história sem pé nem cabeça. 
Apaixonados são os seres mais criativos do universo e isso também é uma droga.Transformam uma palavra qualquer numa declaração, e um gesto qualquer num chamado.
Apaixonados são ansiosos e não se trata da ansiedade natural da vida , mas aquela uma ansiedade que paralisa o resto e sufoca. 
Eu tenho pena de quem se apaixona mais que qualquer outro sentimento. O apaixonado come migalhas como se fosse um banquete. 
É uma droga se dar de bandeja.É uma droga saber o que é certo e escolher o que é errado.É uma droga esse distanciamento de si mesmo pra dar prioridade ao outro - que sequer tem responsabilidade alguma, obrigação alguma .
A paixão não deixa de ser um pedido de socorro.É um terceiro olho (cego).É um quase nada disfarçado de quase tudo. É brincar de ser feliz e evitar ser feliz de verdade.
Como se de todas as pessoas desse mundo, só uma parece ter a fórmula da tranquilidade, do equilíbrio e da alegria.E é uma droga apostar todas as fichas nisso.
Ser refém do medo de perder o que não se tem, é uma droga. Ser refém de telefonemas, e-mails e mensagens que nunca chegam, é uma droga. Ser refém da fantasia é uma droga.
A paixão é o sentimento mais exposto à ausência da recíproca, e ainda assim, não existe limite ou vergonha na cara. Não existe desafio que você acredite (ou finja acreditar), que não possa ser vencido.
O apaixonado é um solitário. Não tem a companhia de uma pessoa , tem a companhia de um sentimento.
Que droga residir no faz de conta, enquanto a realidade te puxa pelo braço.
Que droga quase não dormir de angústia  e acordar sem saber o que fazer.
E enquanto o tal " amor " não vem,  a gente vai pulando de uma droga de paixão, pra outra.



11/04/2012

Todo sentimento.


Eu não sei esquecer como quem vai na esquina e volta.Brinco de ser forte e isso é tudo que eu não sou.Sou uma amadora das emoções.
Você não é a pessoa mais importante do mundo, mas da forma que eu me comporto é como se fosse.
A verdade é que eu vi algo em você que não consigo explicar a mim-quem dirá te fazer entender ou ao resto do mundo?! !
Não tem sido fácil, nem leve, nem bonito.Não tem me dado ar ou impulso.
Quando finalmente me distraio, volto a pensar no que não fui. Porque é triste querer ser pouco, e ser nada. É triste ter dado passos em direção a lugar nenhum.É triste ser sua torcida organizada e não te ver jogar.É triste saber que você anda por aí enxergando o mundo, fazendo coisas, descobrindo as pessoas, como se eu não existisse e mais que isso -como se eu nunca tivesse existido.
Seu defeito é essa oposição a mim. Seu argumento são os meus defeitos.
Na falta de algo melhor (ou pior) pra fazer, escrevo. Ma eu queria alimentar seu cérebro com a minha lembrança, sua bondade com meu sentimento, seu desejo com meu corpo e seu perdão com meus arrependimentos.
Dentre todas as pessoas que você conhece, talvez eu não seja exatamente a mais  imperfeita delas- mas sou provavelmente a que mais se expõe e não faz questão de blefar (por isso pareço a mais imperfeita delas). Dou minha face, minha alma, e isso custa caro nesse mundinho onde ganha mais, quem se revela menos.
Corro o risco de virar sua piada favorita , seu arrependimento, sua inimizade, e essa é uma ideia que me faz querer fugir do mundo- nesse caso, do meu. Porque o que eu queria mesmo, era ser um daqueles afetos que você me confidenciou um dia guardar em "potinhos", uma lembrança boa, dessas que a gente chama pra fazer companhia quando parece tá dando voltas no inferno.
Todo o escarcéu foi pra chamar sua atenção!Como se eu não soubesse que quando alguém força pra ser lembrado, assina um atestado de fraqueza - e mais esquecido fica, entre escombros do fracasso.
Eu não te amo.Eu não te quero pra eternidade.Mas eu preciso de você.
Pra quem já fez tudo que podia , resta  agora não fazer mais nada.


9/27/2012

Desistir é para os fortes.


" Desistir é para os fracos" - é uma das frases mais mentirosas do universo. E eu entendi isso desde muito cedo - desde que a vida ou as pessoas começaram a me impor limites - direta ou indiretamente.
Eu acho desistir uma das tarefas mais difíceis e bonitas dessa vida. Desistir é para os fortes ! E nisso eu vejo mais poesia que correr atrás do que não se pode ter ou que escalar uma montanha imensa.
Não existe nada mais doloroso e complexo que abrir mão de uma sonho, de alguém , de um desejo.Doloroso e complexo - mas depois de um tempo, percebi que é de uma sabedoria e de um reconforto que não tem preço.
À princípio parece um atestado de fracasso, e isso geralmente vem com dor , vem com mágoa , vem com a acidez da derrota , vem com a culpa , vem com a vergonha , vem com a memória borrada e vem sobretudo, com a sensação horrorosa que é a de ter perdido muito tempo depositando a mais poderosa energia em absolutamente nada.
O irônico nisso, é que grande parte daquilo que não é fácil desistir , nem era tão importante assim!Supervalorizar sentimentos tem sido minha especialidade, mas essa é uma lição que só se aprende quando passa.
Cresci tentando acreditar em recompensa e merecimento, como até pouco tempo eram os finais de filmes e novelas . Mas finais de filmes e novelas também mudaram fazendo jus a vida real - O mocinho está morrendo , o bandido fica impune , os amores irrealizáveis . Porque no final das contas, alcançar um objetivo ou ser feliz com aquilo que se quis do fundo coração, nunca se tratou de prêmio e merecimento. Ou a minha vida seria outra - a sua vida seria outra.
A experiência me diz que só abrindo a porta por onde irá sair um desejo em vão  , poderei permitir que entre um desejo novo, quem sabe repleto de possibilidades e realizações.
Mais uma vez estou aqui olhando de frente pra tudo aquilo que preciso desistir, e esse momento, o momento da constatação dessa necessidade humana de abandonar o barco , é crucial. Reconheço esse caminho onde estive outras vezes - sofro, penso mais uma vez , recordo que já passei por ele com sucesso, ganho fôlego, fraquejo , entristeço , e então me lembro , que a única coisa da qual não posso desistir , é de desistir.

5/12/2012

Sobre ser mãe.


Parece óbvio, mas a melhor coisa que realmente aconteceu na minha vida foi maternidade.
Meu único sonho realizado antes do tempo que a gente acredita ser " o tempo certo " , mas não medi esforços quando percebi que fraquejar não me levaria a lugar algum.
Eu tive medo ,  tive dúvidas sim ( como todo ser humano acuado ), eu me enchi de armas pra tentar passar por cima das palavras que nunca saíram da minha boca e confesso, que de uma raiva necessária pra exorcizar todos os fantasmas maldosos, invejosos e mentirosos que ousaram atravessar a minha vida e a vida do meu filho.
Foi a maternidade que me fez ter a certeza da força escondida que existia dentro de mim ( essa força que também habita qualquer pessoa sem que ela se dê conta disto ).
Todas as vezes que eu me sinto fraca eu olho pro meu filho.Todas as vezes que eu penso em desistir de alguma coisa  é pra ele que eu olho,  até perceber que os problemas do mundo ficam pequenos perto do que temos um pelo outro, e que é o grande motivo de superação pra qualquer obstáculo.
Todo aquele blá bla bla que insistem em nos dizer, é verdade !.A gente não aprende nada sobre ser mãe enquanto é filho.Assim como a gente não aprende nada sobre o amor, se não houver a vontade sincera de se doar ao outro (mãe, pai, amigo, filho, irmão ).
Não é fácil .Não tem sido fácil sobretudo, ser mãe solteira.Não é fácil exercitar a paciência , educar, dar a mão , acompanhar as mudanças diante de um mundo cada vez mais complicado,violento, egoísta, miserável e doente.Não é fácil trocar a comodidade da omissão pela missão de ser parte essencial da vida de alguém, ser exemplo, ser a ponte que conduz.
O amor exige uma boa dose disposição até ao que parece improvável e exige concessões que você só descobre ser capaz de fazer quando acontece.
Quando uma mulher diz que não há como medir o tamanho de amor que sente pelo seu filho , não há sequer uma dose de exagero nisso ( nem mesmo quando vem de mim, que sou exagerada por natureza ).
A vida em dois capítulos : antes e depois do meu filho.O mundo nunca foi como antes, a visão que eu tenho dos outros mudou imensamente, a percepção que eu tenho sobre mim não tem absolutamente nada da que eu tinha antes de ser mãe.As coisa mudaram de valor , a importância das coisas passou a ser sentida sob outros critérios.Alguns medos cresceram e outros diminuíram.
O meu filho está sempre me mostrando coisas novas e me fazendo sair do meu mundo as vezes chato, as vezes difícil, as vezes complicado , pra entrar no mundo dele, onde eu posso me renovar , me encher de esperança.
A verdade é que em alguns instantes supervalorizamos o banal , o passageiro, o que pensamos importar e não importa , e esquecemos que nada supera o amor .O amor puro, genuíno, pleno,infinito.Aquele pelo qual a vida de fato vale a pena .
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( Feliz dia das mães pra todas as mães e para todas as mães dos que por aqui passam )

4/07/2012

Interrogação.



Eu não sei se vai acontecer. Se você vai se permitir. Se eu ainda vou querer. Se o destino ou a sorte estarão ao nosso lado.
Eu não sei se lá na frente todos os medos- meus e seus- deixarão de fazer sentido. Se estaremos dispostos a pagar o preço. Se estaremos disponíveis ao desejo- e mais que isso , se o desejo sobreviveu.
Eu não sei se você, depois de ingerir uma dose de razão, uma dose maior ainda de culpa e uma garrafa inteira da vida real,  continuará acreditando que vai acontecer - que "tem" que acontecer.
Isso significa atravessar uma parede com nome e sobrenome. Você é capaz? Eu serei louca?
Eu não sei de mim- que ando descrente e tenho pressa - que pintei você de cinza, que te humanizei pra esquecer o tempo necessário - Eu não sei se mais tarde,  conseguirei revê-lo na forma original , com todos os encantos e um arco -íris.
Eu não sei sequer, se ainda há algum mistério ou força nisso- ou se deliro. Se é como se eu nunca tivesse existido - ou você. Se a pequena história de desejo e sintonia,  virou uma aventura em miniatura que não se conta nem ao espelho - ou que já saiu da ressaca  - e virou nada.
Isso significa rasgar a página e jogar fora. Eu serei capaz? Você será louco?

2/18/2012

Diga " Não"

Não sabe dizer não? É covarde.

Até dói. Dizer não também dói e é desconfortável pra caramba. Mas pode ser a melhor coisa que você pode fazer por alguém e sobretudo por você.
Não deixe alguém esperando, não permita que alguém crie expectativas , fantasie ou corra atrás do que nunca virá. Você gosta de esperar? 
Eu não conheço nada nessa vida que angustie mais o ser humano do que a dúvida.E a dúvida é a filha de uma resposta que não vem , de uma realização que nunca vai bater na sua porta. A dúvida é a grande obra dos covardes, de quem não se compromete com a verdade , de quem foge porque não sabe enfrentar talvez os próprios fantasmas, talvez as próprias dúvidas, de quem faz de conta , de quem brinca com a expectativa alheia como se fosse banal ou uma grande bobagem.
Dizer não é dizer ao outro que ele pode seguir em frente e que existem outras alternativas.É desatar nós e fechar um ciclo para que um outro possa começar.Dizer não , não representa a maldade , maldade é calar , até mesmo o óbvio.
Eu não sou fã de silêncios porque toda vítima dele acaba virando também vítima de uma falsa esperança. O ser humano é assim: sonha à toa , recusa interpretar entrelinhas , quer o preto no branco , ouvir da boca , ver pra crer. 
É tão mais simples falar a verdade. A verdade é bem mais descomplicada que desligar o telefone, ignorar , deixar no ar , sumir e fazer alguém de bobo. A verdade não é o que existe de mais bonito , mas ainda que não pareça , é o que você pode dar de melhor a alguém e o que deve fazer de bom a si mesmo.
Então, pra você que acredita no silêncio como resposta, eu digo : o silêncio é a beira do precipício , o caos. O silêncio permite qualquer interpretação além dos fatos. E desde quando isso é legal? Diga logo o que tem que ser dito. Dois mais dois não são quatro? 
Dizer não, é tirar todos os envolvidos da prisão.Inclusive você.

12/25/2011

Um ano chato subindo no telhado.


2011 foi um ano muito chato. 
Concordo com quem que nesse momento, pensou que isso é uma questão de fazer por merecer. Isso é lá uma grande verdade. Triste constatação no final das contas. Bem triste, pra não dizer outras coisas..
Mas além de um ano chato, 2011 foi o ano onde eu melhor pude perceber o quão importante é manter-se distante de quem não nos faz bem algum. Não fazer questão de gostar de algumas pessoas!  Sobretudo, essas que bastam em si mesmas. Sobretudo, as que são naturalmente egoístas.Essas que estufam o peito porque são livres, modernas e não devem nada a ninguém.Essas que fazem você até acreditar, de tão louco, que é preciso lutar e sofrer por atenção. Olha, antes eu tinha medo,  agora eu tô cagando pra todas elas. E é libertador...
2011 também foi um ano da contradição entre sentir falta de amar tanto e ao mesmo tempo sentir que ta bom assim,  que é necessária a trégua, um respiro. É que você passa anos da sua vida amando a mesma pessoa e quando já não ama mais e não ama ninguém mais , vem uma espécie de vazio na alma do tamanho do mundo.Louco não?! Talvez seja um traço comum naqueles que como eu, mesmo que o mundo diga  mil vezes não, ainda acredita no amor. 
E aí veio uma coisa medonha chamada maldade , pra ferrar 2011 de vez. Olha, eu  confesso que ainda me espanto ! Porque por mais que você  acredite já ter visto de tudo nessa vida, por mais que você pense que o ser humano já ultrapassou todos os limites da podridão e do mau caratismo,  sempre aparece alguém pra mostrar que pode ser ainda pior. E basta uma semente de maldade , umazinha sabe, e tudo sai do eixo, adoece...E pra que maldade mesmo? Na maior parte das vezes , por prazer. Ponto final.
Então, contra a maldade, eu sou do time que acredita em Deus.E 2011 foi isso. Um Deus nos acuda.
Mas nada de choro.Um chega pra lá no pessimismo. Até porque não se tem muita escolha e não se vive.
Todo ano é a continuação do outro, e me esforço em pensar que se nos apegarmos aos sentimentos que realmente importam, se formos de verdade, se tivermos fé ( ou sorte) , alguma coisa há de mudar pra melhor. Há de ser belo e realmente novo. Doce e reconfortante.Não porque mereço ( essa teoria já foi pro espaço ) , mas porque em algum lugar,  está escrito que assim será.




FELIZ 2012. De todas as maneiras. Pra todos nós.