Pensando no passado, era tudo tão bom (e quero acreditar que nem passou tanto tempo assim)! Brincar de amarelinha, capitão, mata- mata, fazer perfume com flores, sopa de pedrinhas e ter bicho de pé de tanto andar descalça pelas ruas de bairro onde passei parte da minha infância. Nos faltava malícia, mas tínhamos uma alegria arrebatadora e leveza de sobra.
Não eram somente as crianças. Os adultos também compartilhavam desse universo menos superficial.
Os romances então ,tinham de fato cara de romance. Éramos mais ridículos escrevendo cartas, comprando cartões enfeitadinhos, choramingando pelos cantos. Tínhamos crença nos sentimentos.
A tecnologia pela qual sou fascinada e a praticidade de uma vida moderna levaram um pedaço enorme do nosso encantamento pelas coisas simples, pelo ser humano em si, e principalmente ,esse nosso olhar interior que se confunde com tudo que vem de fora.
Nos aprisionamos. A globalização sequestrou a poesia das relações e do autoconhecimento.
A pressa, a grana, a reunião, a hora marcada, a internet, os contatos profissionais, o celular, o fast-food. A vida que passa e se transforma num segundo. A facilidade com a qual mudamos de endereço, de grupo, de trabalho, de rota. Tudo tão objetivo e ao mesmo tempo complexo.
É nesse liquidificador de emoções rápidas, que o homem explode por dentro e se afunda em males como a depressão, o stress e a síndrome do pânico. Lembramos então que máquinas dão defeito. O corpo e a alma gritam.
A impressão que dá é que já nascemos adultos e cheios de compromissos. Uma agenda onde não há espaço para os sorrisos infantis , aventuras e ilusões necessárias.
O que nos comove? É preciso a morte de uma menina de cinco anos que foi jogada do sexto andar para que nos borbulhem sensações de humanidade?
E a delicadeza das pequenas coisas? E a miséria que já é parte do cenário daquelas ruas por onde passamos todos os dias? E o doar-se? E o "abrir mão em nome de”?E a certeza do pouco que fazemos pelas pessoas que dizemos importar?
O ser humano se esvaziou de sentimentalismo sincero para afundar num sentimentalismo fabricado. Sequer admitimos sofrer ou sentir algo profundamente ,porque parece não haver tempo pra isso ou pior, nos envergonhamos. Perdeu o sentido ser quem somos em instinto , em essência.
O conceito de felicidade tornou-se um conceito de convencimento apenas. A sociedade. O rótulo. A fôrma. Bonequinhos em série.
Falta o doce, a intensidade. O grande barato que é SER , sem que pra isso precisemos pedir licença ou racionalizar o bastante.
Falta a delicadeza, não para virarmos uns fracos, mas para sermos solidários, heroicos nas nossas relações e dentro da nossa casa, tocados pelo que acontece nas entrelinhas da rotina. Faltam vontades do fundo da alma, o cuidado com aquilo que está longe de ser tão somente uma peça de quebra cabeça.
Não é o jogo da vida. É a vida. Não são os troféus. São as pessoas.
O que realmente importa? O que no final dos nossos dias, terá restado e feito a diferença?
Voltemos ao que nos transforma para o bem, aquilo que remete a um futuro com mais sensações que respostas.



Fabiana sou seu fã
ResponderExcluirbeijos
Luíz